26 dez, 2016

Porque você se sente perdido

26 dez, 2016

Semper Viri, irmãos.

Não é de se estranhar tal similaridade que existe entre todos nós, seguidores desta causa. Ao passo em que acreditamos que estamos de alguma forma desconexos do mundo exterior, seja não se adaptando, ou, se adaptando forçadamente por não se sentir incluso nos dias de hoje, estamos nos envenenando com um mal que existe desde os primórdios, mas nunca dum jeito tão exposto e normalizado como é hoje. Obviamente, tais preceitos poderiam ser subjetivos, e você mesmo negar-se a acreditar, ou filosoficamente recusar as ideais difundidas por estar se sentindo bem com a tua vida atualmente e mesmo assim compactuar com a causa em outras questões. Porém, vale ressaltar que nem sempre a verdade é bela ou formosa aos nossos olhos.

Existe um problema hoje, e grave, que está ocorrendo atualmente na sociedade em geral, onde o foco se concentra no ocidente, sendo este, promovido pela a mídia influenciadora de um establishment que corrobora toda uma engenharia social objetivando a destruição da célula familiar em uma chamada que busca uma suposta transcendência do homem e da mulher em meio a era moderna, corroendo e danificando aquilo que fazia de nós, homens puros e imaculados, nos taxando de opressores e que o passado era um tempo de trevas, e o que fomos um dia foi arrancado e repudiado por uma minoria ideológica influente, mas que, no entanto, convergiu de tal forma fazendo com que o orgulho estoico passado se transformasse em vergonha, e a beleza que nos inspirava os arquétipos despareceu em meio a um conformismo doentio e fraco. A civilização progrediu para uma concepção economicista e propriamente materialista, a alternativa “ideológica” pereceu pós-segunda guerra e restou de nós, a assimilação a este mundo não-natural e corrompido, beirando ao exílio social.

A pedido de membros, escrevo essa introdução a uma série de textos voltados a esse assunto em específico. Lembremos que o que for aqui aprendido, deverá ser propagado e estimulado entre seus iguais. O que fez de nós, os desbravadores deste vasto mundo foi a união e não a singularidade e egoísmo.

Um paradoxo

“Qual foi a última vez que você fez algo pela primeira vez?”

Homem perdeu seu poder. Isso é uma afirmação simples, curta e direta. Certamente não sou religioso, meu posicionamento mudou muito desde aquele ateísmo juvenil que adquirimos graças a concepção atual de sociedade, fruto da modernidade, admito. Todos nós de alguma forma sofremos disso, atrapalhando os conhecimentos que transcenderam gerações por um mero conformismo social cosmopolita individualista. Hoje é muito mais um lamento que um orgulho revoltado. Civilizacionalmente falando, reconheço o papel das religiões desde aqueles tempos sombrios ou não, agora intensificado com o papel social e até mesmo a questão metafísica que anda me inquietando. De fato, existiu progresso no tempo contemporâneo – é inegável – somos seres racionais, conforme as gerações foram passando ao longo dos anos, conseguimos adquirir mais conhecimentos que nos permitiram criar novas ferramentas que favoreceram a nossa vida, objetivando trazer mais prosperidade e comodidade a nossa existência. Seja nossos ancestrais primatas utilizando suas primeiras ferramentas como descrito na introdução de “odisseia no espaço” a medicina avançada que cura nossas doenças atualmente que até então, eram incuráveis ou ser quer detectadas. O Homem cresceu e continuaremos crescendo futuramente.

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jovens têm optado por trabalhar e morar no campo Interior vem atraindo pessoas que buscam novas alternativas de trabalho e contato com a natureza.

Fomos condicionados a levar uma vida essencialmente materialista como forma de substituir nossa predisposição a violência que seria inserida num contexto social – sobrevivência do mais forte – seu objetivo visaria a normalização e sedação da sociedade que pode ser resumida principalmente em oferecer confortos a uma população cada vez mais sedente de confortos e regalias afim de satisfazer os anseios da população e gerar ordem. Consequentemente, tal medida propiciaria uma época pacífica e duradoura.  Isso não é exatamente um problema social, sempre foi um objetivo para os líderes poder oferecer uma vida farta a seu povo com a intenção de manter-se no poder e deixar um legado positivo e duradouro. Mas muito se difere os tempos clássicos dos tempos modernos, pois existe uma contradição enorme que pode ser classificada como o ápice da degeneração social humana no ponto de vista antropológico. Claro que a consequência do homem a tecnologia favoreceu a comunicação num nível jamais visto, mas a questão não são os aparatos tecnológicos que favorecem essa comunicação e sim a restrição vocabular ou o nível de sociabilidade dos povos atuais e povos passados. De que forma isso mudaria nossas mentes e como o corpo humano reage com as sensações trazidas por esse mar de informações e tecnologias reconfortantes? Isso é um ponto válido que deve ser levado em consideração, visto que a depressão é um male fundamentalizado nos tempos atuais, são as vítimas de um sistema que sobrecarrega mentes a um alto nível de pressão e responsabilidade por status, talvez. Trabalhar é digno, mas viver por ele também é? O camponês médio na idade feudal trabalhava apenas 6 meses por ano – o resto do tempo ele passava com a família, em tavernas com amigos em meio a festivais – Então, o homem moderno atual que trabalha 8 horas por dia, 7 vezes por semana, 11 meses por ano deve ser considerado um progresso? Deve ser considerado um avanço social? De fato, a produção mundial é colossal. Nosso mundo é atualmente um produtor de informação e um consumidor industrial, o que não é para menos, visto que precisamos estar oferecendo bens materiais a massa para entretê-los afim de aquecer a economia, gerar empregos e alavancar a riqueza de um país perante a outros. Ao contrário do que aconteceria num feudalismo, onde não é necessário um consumo materialista do homem para manter a economia em crescimento constante, visto a grande parte dos produtores rurais – a maioria – que produzia apenas para o próprio consumo e uma pequena parte para comércio ou impostos.

“Amo a floresta. Viver em cidades é ruim: porque por lá há muita luxúria” – Nietzsche

Um novo carro, um novo vídeo game, uma nova roupa, um novo utensílio que economizará 3 horas do seu ano para realizar uma função básica de sua vida. Tudo é correlacionado em negociações globalizadas numa grande teia de venda e compra a fim de abastecer a necessidade humana. Hoje uma mísera parcela da população vive no campo, e com o êxodo rural e a urbanização das cidades, os princípios básicos e clássicos de sociabilidade foram invertidos e transformados em algo puramente egocêntrico e por busca de Status. E qual seria o male disso socialmente? O problema não reside na próxima temporada de uma novela que te diverte, onde você espera, ansioso, conversar sobre ele durante o expediente do seu trabalho com seus amigos. É apenas artificial, moderno. Esse coquetel de relações humanas artificiais moldam o homem em seus mínimos detalhes conforme é descrito em tudo aquilo que compõe a sociedade atualmente. A robotização do homem, como máquina, seria uma utopia? Ou melhor, será digno para o homem transcender em algo puramente consumista? O capitalismo trouxe algo, mas retirou algo da sociedade. O individualismo pregado como forma de consumismo, onde precisamos encontrar o nosso “eu” em meio a roupas características de tal marca para pertencer a tal tribo. Ironicamente, uma individualização que acaba se coletivizando por pura consequência natural dos seres humanos. Somos um animal social, e esse é um dos nossos maiores atributos. O Distributismo de Chesterton sempre tocou nessa questão com clareza, mas infelizmente, hoje nos tornamos um mero exército de zumbis que apenas buscam sua recompensa recreativa em meio a objetos e sexo casual. E nós vivemos isso, e nós desfrutamos disso, querendo ou não, nós estamos viciado nesse estilo de vida, senão ele não estaria tão vivo e presente nos dias atuais. Todos aqui sabem da minha história em meio a relatos de conquistas de mulheres e muito sexo fácil e simples. Fico feliz em ter percebido a tempo onde estava me metendo e como isso me diminuiu como homem. Não somos a mera reação fácil de ser levada e condicionada por uma peça teatral social em que nos vemos heróis, mas que viveremos sempre como escravos. Mas tal medida descabida necessita de uma busca por conhecimentos, reflexão e uma disciplina vem rígida. Nós somos a tormenta, a ação, o guia, e a luz que resplandece sobre nós é a justiça verdadeira.  Ser temido por inimigos e indispensável para amigos.  A vida é curta e pouco se aproveita se nos isolarmos no conformismo diário das nossas vidas.  Honre tudo e a todos, pois a honra é tudo e sem ela você não será nada.

Você encontra uma certa comparação dedutiva sobre o que seria de fato a opressão da sociedade, quando tempos a imagem estereotipada do clássico fascismo autoritário descrito no livro “1984” de George Orwell. Entretanto, o que ocorre atualmente com o ocidente é um método de engenharia social muito mais eficaz e atualizado para os dias de hoje. Aldous Huxley consegue traçar isso com clareza em “Admirável Mundo Novo” (leitura recomendada).

“O livro de Aldous, por sua vez, foi escrito em 1932, e também era um esboço hipotético de uma sociedade futura. Paradoxalmente ao livro de Orwell, a sociedade proposta por Huxley era estruturada sob os pilares da liberdade individual, onde não há casamento, maternidade e paternidade, fazendo com que não haja laços emocionais entre as pessoas. ”

De forma bem resumida, podemos traçar alguns pontos chave e comparar os dois trabalhos. Em 1984, Orwell temia que os livros seriam censurados para evitar propagação de ideias dissidênticas, já Aldous, temia que não haveria razões para ler, já que ninguém se interessaria em ler, algo visto como tendência nos dias de hoje. Pesquisas atuais mostram que o Brasileiro médio está lendo cada vez menos (link da reportagem). E tal dado foca explicitamente no que diz respeito as crianças. Elas não estão lendo o quanto deveriam, e para completar essa linha de raciocínio, lhe faço uma pergunta para que você responda de forma sincera: “Quantos livros você leu esse ano? ” Eu, há uns 10 anos, quando não me importava necessariamente em estudar por contra própria, admito que devo ter ficado uns 5 anos da minha vida sem ler um único livro. E isso não é necessariamente algo ruim, as pessoas não devem ser obrigadas a estudar, mas no momento em que você anseia por conhecimentos e busca a transcendência, você precisa aprender a querer buscar conhecimento, não apenas estudar. Atualmente leio anualmente uns 40 livros, e isso não me pesa e nem é sempre algo cansativo e tedioso, poderia ter sido no início, mas tudo parte de uma questão de costume e em se disciplinar para isso, a consequência disso, é aprender sobre coisas úteis e interessantes e raramente tendo a assistir TV e me entreter com isso.

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Quando digo que a única resposta séria ao progressismo é a violência e o terrorismo eu não estou brincando.

“Ser guerreiro não exige perfeição. Ou vitória. Ou invulnerabilidade. Um guerreiro é vulnerabilidade absoluta. Essa é a única coragem de verdade. A vida é uma escolha. Você pode escolher ser uma vítima ou qualquer outra coisa que deseje. Um guerreiro age. Não há começar e parar. Apenas fazer”

As consequências para esse câncer que está impregnado na sociedade são claras. Depressão será a doença mais incapacitante até 2020 e a doença mais comum em 2030, Quando perdemos a nossa chama que nos reafirmava como membros de um elo, perdemos também a vontade de viver.  Quando somos movidos apenas pelo o desejo, ou quando só baseamos nossa mentalidade em preceitos populares, mundanos e materialistas, nossa mente não alcançará a epifania que tanto precisamos para reciclar a nossa força de vontade em meio a esse mundo em que vivemos.

Não sejamos o futuro que apenas se baseia no passado, mas o que preserva aquilo que faz de nós, homens honrados.

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12 Comments:

  • Felipe de Souza janeiro 30, 2017

    Conheci o CDH por meio de uma rede social (facebook), desde então sempre acompanho as publicações e confesso que dava apenas a atenção (mínima de leitura), porém esse ano decidi ser um homem melhor para min mesmo em busca do conhecimento, do saber, do gerenciar melhor a minha vida, no relacionamento com a minha futura parceira, hoje em dia não me relaciono com nenhuma mulher, não pelo fato de não conseguir, mais por questões de prioridade na vida de um homem em busca de realização pessoal e profissional, sempre fui um homem que não dei a mínima para meu futuro, vivia apenas o hoje sem pensar no amanhã, de como eu estaria daqui há 20 ou 30 anos, e graças a Deus despertei-me desse profundo e traiçoeiro sono, me sinto mais vivo, sinto que a superação pessoal no qual terei de enfrentar será uma batalha árdua e longa, mais não me importo porque dentro de min algo me diz que é possível chegar lá e que tudo isso é temporário, que é algo que no final das contas irá valer a pena o sacrifício. Agradeço aos produtores de conteúdo do CDH por produzir sempre textos incríveis, textos com reflexões desafiadoras, obrigado Geon pelo texto produzido. Semper Viri Irmãos.

  • João janeiro 29, 2017

    Muito bom texto, há anos acompanho ao clube e é evidente a evolução nos textos e temas abordados. Parabéns

  • Tiago Lima janeiro 26, 2017

    Puta texto sensacional mano, to aqui desde o início e sua evolução nos textos estão cada vez mais profundas e tocantes. Obrigado pelo texto e reflexão.

  • ELISA janeiro 26, 2017

    curti o blog vou mostra para o meu marido ele vai adora

  • Vinicius Leite janeiro 13, 2017

    Só tenho sempre a agradecer pela contribuição e as reflexões de nossa irmandade. Penso que estamos atrasados de forma moral e ética em condições absurdas e apesar de tender o máximo que posso a refletir apenas sobre mim, uma vez que não e considero no direito de fazer isso com meu semelhante, entendo que a cada dia o meu caminho como homem vai ser diferente e eu não vejo mais sentido na vida de imagens que somos forçados constantemente a viver. Obrigado Geon e parabéns pelo texto. SEMPER VIRI

  • Venício janeiro 08, 2017

    Logo após completar 20 anos, nov. 2016, comecei uma Auto Reflexão sobre mim durante todo esse percurso, e Lendo este Texto, percebo o quando a minha Realidade Menta e Espiritual estava Sendo, digamos forçada e obrigada a Enquadrar-se a este tipo de Sociedade Atual.

    Obrigado por esse Texto, certamente ajudou muito a Melhorar a Minha Visão sobre Onde, e Como estou Atualmente.

  • John janeiro 07, 2017

    Geon, adorei seu novo livro cara, terminei de ler hoje. Só uma coisa, verifica com a gráfica uma nova versão do mesmo livro, pois o semper viri que comprei está com diversos erros de digitação, um abraço!

  • Ailton Júnior janeiro 03, 2017

    Primeiro texto de 2017 que li seu Geon. E digo Parabéns!!!

  • Emiliano Júnior dezembro 28, 2016

    Infelizmente Huxley tem razão.

  • Marks dezembro 26, 2016

    Ótimo texto. Além de ter me identificado com a reflexão achei muito legal ter citado Orwell e Huxley. Apenas uma correção: O Distributismo de Cherleston (*Chesterton).

  • Davis Almeida dezembro 26, 2016

    Membro novo, aprendendo muitas coisas aqui, que bela análise,bem escrito.

  • John dezembro 26, 2016

    Pois é, me sinto de certa forma deslocado da realidade e dessa juventude, o resultado é um vazio que me entristece.

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