05 set, 2017

O sonho não realizado

05 set, 2017

Caros irmãos,

É com muito prazer que continuo a escrever esporadicamente a todos os senhores, tem sido uma experiência extremamente satisfatória esta incessante troca de conhecimento que pregamos no CDH. Ora, sempre exaltei a busca perpétua por nossos sonhos de vida, seja profissional ou familiar ou ambos. A grande sacada sobre o que tínhamos que ser perante aquilo que queríamos ser, e os devaneios de nossa juventude com nossos sonhos irreais e fictícios, poderia sempre nos proporcionar uma lição de moral, uma visão nova, um novo conhecimento e uma nova habilidade. Habilidade que poderia ser útil num dia, uma nova forma de enxergar um determinado assunto, que traria mais clareza a sua mente, e uma lição moral aprendida, para não cometer o mesmo erro novamente. Tudo sempre pareceu caminhar para a evidente estrada de conclusões e sonhos não realizados. É simples. Aquilo que não conseguimos por tentativa ao erro, repetição a permanência do status quo, uma hora, seja cedo ou tardio, consideraremos tal prática inviável, impossível ou somente não sendo capaz de realiza-lo. Os desconfortos que são gerados pelo o fracasso, trancafia nossa mente em uma prisão de pessimismo. Talvez, e em nosso texto interior, toquei que tal questão poderia não ser algo necessariamente ruim, apesar dos pesares, pois o pessimismo nem sempre estará preso a falta de ação, pois isso seria inaceitável, tal prática não tem cabimento para nosso pensamento transcendental. Pensemos que o pessimismo aqui esteja muito mais ligado a um realismo cético sobre as coisas a sua volta do que um marasmo da nossa consciência em estado depressivo. Assim como fracassei em algumas coisas, e acredito que você, caro leitor, também tenha fracassado, restou-nos, a incerteza do amanhã à busca pelo o recomeço descompromissado.

Tal comprometimento não realizado faz reavaliarmos todas nossas conclusões que alcançamos ao longo da vida, como se tudo que foi praticado, foi errado ou não suficiente. E, talvez, seja isso, não posso determinar precisamente, casos são casos, mas isso não importa, pois aprender do zero ou retentar o que foi aprendido são coisas muito parecidas quando nós falamos de comprometimento. Mas o ponto em que caímos até ao ponto em que precisamos nos reerguer é uma tortuosa estrada de descompromissos, faltas, desestímulos ou medo de fracassar novamente. Lembro-me de um seguidor que desabafou sobre sua experiência de fracasso e derrota. Um jovem aspirante a dono de seu próprio negócio, fracassa e fali, tendo que voltar a morar com seus pais, e como era de se esperar, vivenciar tamanha vergonha o colocou numa situação depressiva, incluindo também, sua esposa, que o abandonando logo em seguida. Podemos concluir que tudo que poderia ter dado errado, deu errado e nada restou a ele, a não ser, sua família. Mas o cerne da questão em que quero chegar, é o ponto de partida que foi sua forma de recomeçar. Ele não acordou num dia seguinte e decidiu que a partir daquele dia ele estaria melhor e tentaria novamente. De forma alguma, muito pelo o contrário, percorreu um longo caminho para o recomeço, sendo ele provido por pequenas conquistas individuais que impactaram a sua vida de forma positiva. Ele começou entrando numa academia e focando nela. Aperfeiçoou seu corpo, que nutriu sua mente e melhorou sua autoestima, buscou ali ser recompensado em pegar o peso, em ultrapassar as barreiras que seu corpo tinha, vencendo o ferro e abdicando de uma vida depressiva para algo ativo e que lhe proporcionou um estilo de vida saudável e disciplinado. Perceba que este ato de autorecompensa é útil, aconselhável e benéfico. Não podemos negar ou esconder as nossas feridas, elas precisam de tempo para cicatriza-las, ignorara-las seria apenas mante-las abertas. Precisamos sentir a dor, o desespero e a agonia para apenas assim, ficarmos livre delas. O arrependimento não sumirá, mas o sucesso futuro ofuscará seus erros passados. E vencer a si mesmo, melhorar-se, desempenhar um papel melhor do que fazia antes é a melhor recompensa que podemos desejar no momento, pois ninguém gosta de perder, de retroceder, de se inferiorizar, e estando em tal momento sensível de sua vida, uma vitória é avassaladora e inspiradora.

Sejamos maduros para aguentar os solavancos da vida, as quedas e derrotas que ela proporciona, pois somente os vitoriosos conseguiram ultrapassa-las, só os melhores, só os sábios e dignos. E busquemos em nossos corações e mentes, o conhecimento, o controle e a sabedoria para ultrapassar nossos medos, erros e anseios. Pois a beleza de nossos fracassos está no que absorvemos para o autoaprimoramento de nossas vidas em prol daquilo que sonhamos.

“Reerguer-se diante de uma queda não só é importante, como é uma obrigação moral.”

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  • Roger Costa

    Up

  • Felipe Cardoso

    Como sempre, ótimo texto!